Em tamaya bafamento
| Idioma: Língua de preto, Ratinho |
| Ocorrência | Uso litúrgico | Local | |
|---|---|---|---|
| Natal de 1647 | Matinas: 2º noturno / 4º vilancico (?) | Convento de Nossa Senhora da Graça de Lisboa | Ver publicação |
Dialogo de 2. Negros, & 1. Ratinho.
| 1. | Em tamaya bafamento, q́ tem nesses colação, naõ sey, siolo, Bassiaõ, quem dame consolamento? |
| 2. | Que tem bos, flancico Pay, quem fazéte gravamento? |
| 1. | Z[e]nte Ratiyo, ay ay, ay, naõ consente noso bay no fessa de Nacimento. |
| 2. | E esses, ploq́ camiyo? |
| 1. | Ploq́ mofina Ratiyo co enveza se esganá, q́ minino mas frugà de be bayà os Pretiyo. E dizeme em concruzaõ, se noso bay pala entrá, co pao nos hare xotá, como quem emxota os caõ. |
| 2. | Anda comigo, palente, Naõ té medo, vamo là, q́ Ratiyo se falà, mi queblá turo sua dente. |
| 1. | Plimo, bos sà barentaõ, mas sem malafo, & tabaco, fiocá mofina macaco, naõ boli co pe, nẽ maõ. |
| 2. | Zá q́ bos dà bom conseyo, por amor desses Maruca, na camiyo s[à] bayuca, bebemos armude emeyo[.] Antão benha turo zente, q́ provira Bassiaõ mayà co ere na xaõ, mas que faze mas barente. |
| 1. | Bassiaõ sà muito manuno. |
| Rat. | Ex cà bem a Nigrigença! hora tende la pacença ó seu gritar importuno. Couza jà tão certa hé Entrarem em Pertigal catrò negros nũ Natal, como dous corbos na sé. Pela y alma de Iam pansa, que em reca folgança mora, que os canitos por agora nom haõ deentrar nesta dança. Das ventañs esborrachado se a gũ cà quiger entrar, ey lhe de dar acheirar o zimbro do mei cajado. Si por hifora Mandinga, que se algũ for passadouro, heilhe de crestar o couro co to[u]cinho pinga, pinga. |
| Negr. 2. |
Sá bos bem falado, siolo Ratiyo, noso em que Pletiyo, samo muto honrado. Noso naõ tem medo de vossos palola, cada maõ de Angola trazé sinco dedo. Dexaze esses toce, tomá dezengano, noso mutos anno samo zá no posse. Ploque certa mente, mim tlazè na tino, que tambem minino sà nossa palente. |
| Rat. | Certo, que me enfado jà com tal razaô, que eu nom sey que Adaõ fosse anogueyrado. Mal se dissimula o que assim dizeis; mas entray dáreis de comer à mula. |
| Negr. 1. |
Mula[,] me siolo, naõ quelè comè; sustentà com vé suas Cliadolo. Mas desse entramento muto glaça damo a Deso, que samo za na Nascimento. |
Estrib.
Siolo minino de me colaçaõ,
os bida, eos arma boso tẽ nomaõ;
turo q́ tem terra, turo q́ ceo tem,
qui sá tambem.
Ploq́ Ceo, & terra vos mesmo fazé
Cuas parâvriya naõ mas q́ dizé,
q́ quem turo manda, aere ningem
qui sà tambem.
Quẽ sá Deso terno tanto dissumula
q́ xolá nos paya zũto a boy, e mula,
Vestí turo zente, camiza naõ tem
qui sà tambem.
Quẽ tẽ peccadolo tãto nos ẽtraiya,
q́ fazè por eres finèza tamaiya,
q́ tomà por caza lapa de Belem,
qui sà tambem.
Mes oyo, lembràte de tuas Pletiyo,
là na palaizo guardá hũs cantiyo,
Donde Cassiano; nem Ratiyo vẽ,
qui sà tambem.
Noso Rey amado, noso R. D. Zuaõ
Siolo Raiya, suas gelaçaõ,
Dà bidà, saude, livrà de tleiçaõ.
& seza Macaco, quẽ naõ diz Amẽ.
Todos Amem. Amem, Amem